segunda-feira, 27 de agosto de 2012


As histórias do filho do Seu Badico nos idos de 1950, a cidadezinha de Paraíba do Sul, era um verdadeiro paraíso. O Rio Paraíba era um riozão, a molecada se esbaldava nas praias, tomando banho quase todo dia. O que dava o maior charme a cidade era a estação ferroviária, os trens da bitola larga e bitola estreita partindo das estações de Barão de Mauá e Central do Brasil no Rio de Janeiro, com os trens noturnos partindo de Barão de Mauá para a Zona da Mata mineira e da Central do Brasil para Belo Horizonte; naquela época os trens eram a principal meio de transporte de passageiros, tendo o S2 e S1 em horários alternados, os trens eram também o principal meio de transporte de cargas como por exemplo minério de ferro.

Eu morava em uma pracinha chamada Lava Pés de uma tinha a Igreja de Santana do outro a Mansão do Dr. Sabino Souto, moldurando a praça tinha uma mangueira, a árvore era tão grande que a molecada brincava de pique nos seus galhos, quando na hora de queimada o garoto tinha que pular do galho que estivesse, consequência, de vez em quando aparecia um com o pé engessado.

Eu tinha um compromisso todo o dia, ali pelas seis horas da tarde, tomava meu banho, calçava meu tamanquinho de madeira todo gasto, dava pra sentir as pedrinhas da calçada e ia na padaria do Sr. Amador Rios comprar pão, as moças que me atendiam me agarravam e me enchiam de beijos, eu voltava para casa com saquinho de pão todo feliz, me achando o tal.

Estudava no grupo escolar Andrade Figueira, entra burro sai na cocheira, um colégio importante, tinha uma quantidade 600 alunos, se não me engano. A diretora Sr.ª Glória Berthone, gente muito fina, de boas lembranças; a zeladora do colégio Dona Dorvalina, que servia na merenda como de leite para os alunos, quando chegava minha vez, me deixava tomar quantos copos quisesse, pois eu, poucas vezes aparecia, ficava na bagunça com meus colegas.

Estudei, fiz todo o primário e o admissão, recebendo os diplomas. Tínhamos um time de pelada, lembro muito dos meus amigos de futebol, José e Chico Farias, o Zé Mão de Onça era o goleiro, outros mais como Helinho, Renato e José Figueiredo. O José Farias, hoje é auditor fiscal numa dessas empresas de auditoria.  

Voltando a falar da cidade, na Rua das Flores existia o ginásio dirigido pelo professor Gonçalves, onde muita gente boa se formou; outra rua importante era a Rua das Palhas, uma rua muito grande, onde existiam muitas mansões, inclusive dos meus amigos Penas Ribas, era uma rua muito bonita margeada de um lado pela ferrovia bitola estreita, de outro uma carreira grande de árvores e eucaliptos. O escritor Giusepe Guiaroni, uma figura importante, não me recordo se morava nessa rua, autor de um poema muito bonito de nome “O Beijo “, hoje acho que ele é funcionário da Rede Globo.

Ao falar das famílias importantes, não poderia deixar de citar os Visconti, Dona Nair, minha professora; dos D’Angelos, do Nelon D’Angela, grande zagueiro do Riachuelo e da Katia, da área de cultura, artes inclusive cinema. Ao falar de cultura, tenho que falar de outra que é muito importante, a da terra; a Fazenda Itiaca do saudoso amigo Alberto Paes.

Vamos falar agora do famoso Jardim Velho, ocupava um quarteirão inteiro, com suas árvores centenárias, como Jamelão, Oiti e outras, possuía diversas estátuas de mármore e um coreto que tão grande, que sua parte de baixo era um depósito de material da prefeitura, em uma de suas laterais o limite era somente a rua, em seguida a praia que era paraíso da criançada e dos marmanjos que tomavam banho em suas farras aos finais de semana. Dentro do jardim existia um caramanchão, com um banco todo emoldurado com motivos da época, dos seus quatro lados só existia visão na parte da frente, tinha uma menina moça que nas tardes de sexta e sábado, tomava seu banho e vinha somente com um vestido sem sutiã e calcinha, eu e ela namorávamos ali à vontade, o “ bicho pegava”, até que uma figura indiscreta descobriu e acabou com a nossa farra; notadamente o velho jardim era o paraíso dos namorados.

 A cidade tem uma ponte muito bonita, é larga, com mão e contra mão, tendo espaço nas laterais para pedestres, ligando a Fonte Salutaris pelo lado esquerdo e aos bairros Santo Antonio da Encruzilhada, Werneck e outros, pelo lado direito; rio acima, distante mais ou menos 1 km, tem a Ponte Preta, muito bonita e extensa, pertenceu à extinta ferrovia bitola estreita.

A cidade vivia muito em função do rio, existiam muitos peixes de várias espécies, tendo assim muitos pescadores, que possuíam vários barcos, sendo quase uma colônia. Por falar em pescadores, as histórias eram muitas, a colônia dos mentirosos. Existiam na cidade dois bares o Simpatia e o 7 de Setembro; no Simpatia do meu amigo Paraguai, todas as segundas era fixado num espelho na parede do bar, um documento datilografado com a seleção dos mentirosos, inclusive com técnico e massagista. Havia também uma figura cognominada amigo da onça, baixinho com seu chapeuzinho preto, de terno e gravata, que atiçado pela galera despejava seu tremendo repertório de mentiras; outra figura que a turma gostava, na base da gozação, de incentivar, Sr. Ariolário, guarda chaves da rede ferroviária, cargo que exercia como modesto funcionário da rede; sua pretensão era se candidatar a vereador no município, com quase nenhuma possibilidade, a galera dos atiçadores o convidou a criar um partido, o partido que como ele chamava  “ Dos que não tem Boi”, com a sigla PQB, a partir dessa situação foi oficializado hipoteticamente candidato,  atiçado pela galera, o homem partiu para a campanha, em um dia de sábado a tardinha na praça da rodoviária, ele subiu no coreto e começou a discursar: “ Paraibanos e Paraibensas! Paraíba do Sul é uma vaca leiteira que há mais de cinquenta da leite e ninguém sabe pra onde vai! Vou mandar capinar toda a beira do rio para que as mulheres que não fazem nada possam pescar! O candidato da oposição, Sr. Cleofás, vive dizendo por aí, que enquanto os ricos dormem em lençóis limpo e brancas nuvens, o pobre dorme em cama de pau duro.” No pretenso comício a galera em bom numero em volta do coreto, se deliciava vibrando com os gritos: “Ariolário! Ariolário!” , tudo não passou de um tremendo blefe, que a galera aplicou, Seu Ariolário voltou acabrunhado para a função de guarda chave.

Falando da cidade, não posso esquecer o Sr. Manoel Onófrio Rodrigues, homem honrado, acima de qualquer suspeita, fundador do Laticínio Emboaba, onde trabalhei por determinado tempo. Eu tinha quatro amigos de fé, que compartilhávamos de quase todos os eventos da cidade; Agnaldo monitorava casamentos, festas regionais, exposições e outros; existia um taxista, o famoso Calhorda, que nos atendia sempre que saíamos. Certa vez, fomos a uma festa no distrito de Santa Rita, na igreja de mesmo nome, a caminho para a festa o Beto disse: “ O ultimo a arranjar uma namorada, paga o taxi de volta!” Quando o taxi começou a parar, saltei correndo, logo em seguida dei de cara com um grupinho de quatro meninas, uma das quatro era uma escurinha bonitinha, já fui logo jogando o braço pro cima do seu ombro e dizendo: “ Princesa! Voce é a garota mais linda da festa!” , no susto ela respondeu: “ Embruião! Embruião!”, as outras que não eram da cor, na gozação: “ Geiza, você esta com essa bola toda! Com namorado novo e não conta pra gente!?” , moral da história, quem pagou o taxi de volta foi o próprio Beto.

Agnaldo era metido a entender de mulher, dizia que a mulher ama e odeia a palavra simplesmente como segue, “ Ama enquanto dura e odeia enquanto duro!”. Era uma sexta feira por volta do meio dia, quando recebi uma ligação do Agnaldo. “ Esta marcado para amanhã, sábado, já certo com a turma o baile em Santo Antônio da Encruzilhada, o Calhorda já esta avisado.” Resultado, sábado as dez na noite, chegamos a praça em frente ao clube, muita gente aglomerada, enquanto Agnaldo parlamentava com seu papo mais escorregadio que limo verde em pedra encantada, o homem liberou nossa entrada; o salão cheio, musica animada, muita mulher bonita, todos nós arruamos pares para dançar; lá pelas tantas uma figura sobe no palco, mandou a musica parar e determinava:” Vou apagar as luzes! As pessoas que não foram convidadas, por favor retirem-se!” O Agnaldo esbaforido apareceu: “ Vamos sair! Vamos sair!”, resultado: final de noite: maior mico e o Agnaldo quase apanhou.

Estou no escritório trabalhando, todo o telefone, quem é figura? “ Escuta, já acertei com o Beto, Zeca e Elmo, o Calhorda já esta avisado, saída dez horas lá na praça.” Perguntei: “ Mas do que esta falando?” “ Casamento da filha do Sr. Ferreira, voce topa?!” , “ Voce acertou tudo, agora o jeito é encarar! Onde é o casório?” “ No sítio do Sr. Ferreira, perto de Matosinho”, no dia do casório pegamos o taxi na praça, no horário combinado e seguimos pelas ruas até que acabou a iluminação, pegamos uma estrada de terra, cheia de buracos, rodamos, rodamos, noite escura, a lua compensava dando um pouco de claridade, Beto reclamou:” Estamos perdidos!”, de repente ouvimos um som de sanfona, parecia vindo de longe, paramos o carro, estávamos em uma parte alta da estrada, olhamos para baixo e vimos umas luzinhas acesas, retornamos ao carro, seguindo a descida do morro, chegamos a um local, cheio de árvores muito grandes que formavam um bosque muito bonito, lotado de carros, enfim chegamos ao casamento no sítio do Sr. Ferreira.   

A festa acontecia na sede no sítio, uma casa azul e branca, a parte do eitão foi coberta com lona de caminhão formando um grande espaço coberto, logo que chegamos uma pessoa nos chamou a passarmos por um portão de entrada, um senhor com garrafão servia uma dose de cachaça a cada pessoa que entrava, cada um pegava seu copo, festa dominada, conjunto do Sr. Zuza com sua sanfona incentivava todo mundo à dançar.

Estamos os quatro em um canto observando o movimento dos pares dançantes, eis que de repente aparece a noiva de véu e grinalda dançando com uma mulher, enquanto as duas davam voltas pelo salão, o Beto e o Elmo, começaram a atiçar “ Voce é macho mesmo!? Vai lá tira a noiva pra dançar!”, continuaram repetindo “ Vai lá !!!”, tomei coragem fui ao meio do salão, quando as duas chegaram próximas a mim, parti para perto e sai com essa: “ Noiva, quer me dar o prazer desta contradança!?” , saímos rodopiando pelo salão, de repente num tremendo  burburinho apareceram o noive e seus amigos, tremenda correria, duas amigas correram e a tiraram do salão, os amigos do noivo partiram para cima de mim, alguém falou: “ Dá o fora! Você vai apanhar !”, logo em seguido um senhor pega no meu braço, me leva num canto e diz: “ Dançar com noiva não!”, e retrucou: “ Eu conheço você e seus amigos, sou o pai da noiva, sei que vocês são gente boa” e em um tom alegre disse, “ Vão ali para a copa, temos comes e bebes à vontade, divirtam-se!” mas alertou: “ Você dançar com a noiva, nem pensar!!”

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A Enxada


Nos idos do final século XVIII a Europa estava falida o capitalismo era global, era total, na Itália surgiu o anarquismo, grupos de operários se organizando em sindicatos, os patrões revidaram, grupos clandestinos eram aliciados para eliminar todos os líderes anarquistas começando a matança e assassinando quase todos. Na Alemanha, a situação não era muito diferente, assolada pela pobreza a população só tinha para comer batata e repolho. Os espanhóis que anteriormente saquearam ouro e outros bens das Américas Central e do Sul estavam com o restante desses saques esgotados. Na Inglaterra, a situação não era muito diferente, mesmo bancando a monarquia gastadora e improdutiva, importavam quase tudo que consumiam, nesta situação começaram a imigrar para os Estados Unidos e outros países inclusive o Brasil. De Portugal não preciso falar, como todo mundo já sabe, eles já estavam aqui.

O Brasil sob o domínio dos portugueses, já passada a fase das capitanias hereditárias, começou a se organizar politicamente sob a regência dos Orleans e Bragança, com a força do trabalho escravo trazido da África. Por um grande espaço de tempo as caravelas aportaram nos portos do Rio de Janeiro e Santos em São Paulo, transformando os estados do Rio, São Paulo e Minas Gerais quase que em uma fazenda só.  

Com a abolição da escravatura em 1888, a falta de mão de obra barata e a crise na Europa, começaram a chegar ao porto de Santos os vapores com milhares de famílias italianas, que em seguida subiam de trem para São Paulo, para trabalhar nas fazendas de café produzindo quantidades excessivas sem nenhum controle de mercado, enriquecendo meia dúzia e empobrecendo milhares em consequência da falência. A partir dessa fase começaram a descobrir o estado de Minas Gerais, os ingleses e alemães começaram a explorar o ouro, que era muito, em seguida o minério de ferro e o manganês. Daí pra frente desenvolveram as minas trazendo o progresso para a região, surgindo grandes extensões de estradas de ferro para escoar o minério, mais precisamente para a Alemanha, começando assim a produzir os dois produtos de mais utilidades na época, a famosa enxada e o arado. As Minas Gerais por afinidade com os alemães começaram a importar os dois produtos muito mais a enxada, pois para a situação montanhosa do terreno onde os cafezais eram plantados, somente a enxada era a solução. Região muito grande e de muitas fazendas, por consequência com muitos  empregados que tinham na enxada o seu ganha pão, alguns deles com tanto apreço pelo seu instrumento de trabalho, tinham mais ciúmes da enxada que da própria mulher, pois sem a enxada eles não teriam dinheiro para manter a mulher.

Minas Gerais era o estado mais rico da federação, pela variedade do clima, um pé de café dura até 30 anos. Com o ferro e outros da mesma gama, na área das gemas como diamantes e outras, sendo a cidade de Theofilo Hotone famosa no comércio das mesmas.

Voltando a falar da situação do comércio no principio do século XIX, mais precisamente em 1929, o balado ano do crash das bolsas americanas e falência do capitalismo afetando muitos países inclusive o Brasil. A era petróleo estava no inicio, ainda não tinha a importância na área do comercio e da tecnologia, continuando assim a importância da enxada em quase tudo.

Diz o velho ditado que a fé remove montanhas, pois a enxada removeu muitas montanhas no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas e outros estados. No Norte e Nordeste também ela andou por lá, mas como a terra é seca poeirenta não deu muito certo, mesmo assim com pouco uso ela anda por lá, mas como Deus é brasileiro deu ao Norte e Nordeste  lindas praias e  fartura de peixe.

Voltando para os tempos atuais, considerando que a enxada não esta na moda, entretanto representa um exemplo de trabalho, honestidade e dignidade, no trabalho dos mais pobres e no enriquecimento dos mais ricos.

Falando dos mais ricos, um candidato à presidência da Republica, que nunca trabalhou na vida, da oligarquia do batibute, só conheceu a enxada por fotografia. Outro candidato à presidência da Republica, que nunca trabalhou na vida, egresso das lideranças sindicais, se tocar numa enxada ficará cheio de urticárias.

Representando o instrumento em foco, trabalho honestidade e dignidade, sugiro que se fabrique um broche ou um bótom, e que todos os senadores usem na lapela do paletó, os da câmara alta e dos da câmara baixa, mais cama do que câmara que também obrigados a usar.

Um cidadão brasileiro que me faz sentir orgulho de ser brasileiro, professor Niemayer, tem certeza que se sentirá honrado em receber um broche da referida enxada, notadamente por toda sua incansável vida de trabalho e honradez.

Tenho Dito...           

segunda-feira, 5 de março de 2012

Alto Caparaó


Nos idos de mil novecentos e não sei quanto, eu morava na fazenda do meu avô Agenor Pinheiro, trabalhava de segunda a sexta feira, era pau para toda obra, trabalhando na lavoura e também na contabilidade escriturando o que entrava e saia de dinheiro e conta bancária. Entretanto eu tinha as minhas folgas que também não sou de ferro.

Aos sábados ia para Jequitibá para casa da tia Felismina, mas o motivo maior era paquerar as alunas do internato do colégio presbiteriano que faziam a alegria da praça nas tardes de sábado e domingo. 

Acontece que em um final de semana, segunda feira bonita, bonita, dormi mais que a cama e perdi o bus que saia as sete horas da matina e outra condução somente no mesmo horário no dia seguinte. Moral da história, encarar a pé quase 20 quilômetros de estrada de chão, o que fiz logo em seguida. Na saída da pequena cidade tinha uma venda localizada em um casarão da época com uma escada de pedra, ficando bem mais alto que a rua, entrando na venda para comprar dois pães e um pouco mortadela para fazer um sanduiche. Enquanto o atendente pegava aquela bexiga bonita de mortadela cortando em cima do balcão em um papel pardo e me servia uma fatia, lá do fundo do balcão veio um cheiro forte de cachaça que era servido a uma figura bem característica da região, com seu chapeuzinho preto levantou o copo e disse:

- Vai dá um tapa néla?

Não resistindo segui para o fundo do balcão, a pessoa que atendia veio logo com um copo quase cheio do precioso liquido, pedi para reduzir para dois dedos, peguei o copo e beberiquei logo em seguida. Acontece que tinha que pegar a estrada, o que fiz logo em seguida, peguei a sacola com o pão e a mortadela, desci a escada da venda pegando o caminho em direção a Caparaó.

Quando comecei definitivamente a caminhada notei que tinha companhia, o caipira do chapéu preto, fumando seu cigarrinho de palha começou  logo a conversar envolto na fumaça do cigarro, olhando bem para mim soltou essa:

-A fonosomia eu num esqueço nunca.

Fiquei pensando cá com os meus botões, como se escreve esse negócio, com PH de farmácia ou com F?

Ele muito conversante continuou o papo:

- Enquanto a mula tivé mio na caparonga, nóis chega lá. To levano dois emborná com compra que fiz na rua, uma tem quitanda pros cambarucengos, no otro tem 3 metro de vuar, pra a desdita, enquanto o burziga guenta nóis ta andandu. Ta cheganu nus Tavares, quando vejo as bela fico de zói trocado, vamu subino, ali mora seu Mió.

E seguiu meu novo amigo falante conversando.

- Na casa ondo moro tem uns pé de fruta, os passarin tão comendo tudo. Tenho um vizinho, Seu Perera, que home feio pra daná, falei: Seu Perera vamo la na rua, no retratista, tira uns retrato, comemo umas quitanda e tomamo um gole. Fumo tira os retrato, falei com retratista, quero dois do meu amigo bem grande, um dei pra ele, outro fico comigo, botei nos pé de fruta pra espantar os passarim.

Perguntei:

- Adiantou alguma coisa?

- Nada os passarim costumaru cum ele!

E seguia o matuto na prosa.

- Fui trabaiá levantei cinco hora, inda tava escuro, peguei no eito, garrei no rabo da uiara inté o dia escurece, pra ganha 3 conto no dia. Vortei pra casa já de noitinha, fui na bica tomei um banho, tava armandu chuva, relampejava muito, quando comecei escutar um bicho rocando no mato perto de casa, eu tenho uma flobé e uma papo amarelo, peguei a papo amarelo, subi lá, o bicho tava no meio das foia, fazenu muito barui, centei fogo no bicho, ficou pindurado. Belengô... belengô... e num caiu!

- E você? Foi pegar o bicho?

- Eu não! Fiquei com medo.

- Você tem medo!?

- Quem num tem!? Quem tem, tem medo, uai!

- Ocê conhece Dona Buluta? Ela mora ali. Bem, aqui nós vai aparta. Bem ali começa o caminho da minha casa, os cambarucengo vieru me encontra.

Chegando os meninos, ele disse:

- Minino, sóda o home!

Nisso os garotos estenderam a mão pra me cumprimentar. Despedindo ele me convida:

- Vai lá no Pito Aceso, pra comê um péla égua!

Obs: Professor Pasquale gostaria de seu parecer para a matéria em foco.  

Atualmente essa região é muito rica, grande produtora de café e de grande potencial turístico. Jequitibá, Caparaó, Alto Caparaó, Manhumirim, Manhuassu e outras localidades. Região de colonização europeia realizada por famílias como: Agenor Pinheiro, Valérios, Satles, César, Werner, Breder, Heringes, Moita e Tavares. Meu amigo Nelson César,  não tenho certeza mas acho que o cantor Silvio César também é da Região.



Agur