quarta-feira, 17 de junho de 2015

Se você por acaso for a Sumidouro a passeio ou a trabalho, cidade importante e passar férias, descansar do estresse das cidades grandes. Com boas pousadas como, por exemplo, a Beira Rio, com ótimo restaurante. O que você não pode abrir mão é visitar a padaria Sumidourense do meu amigo botafoguense Ailton, apreciar seus salgadinhos e o mais importante o pão quente mais gostoso do mundo.
Vejo a luz que brilha muito longe no horizonte, Uma luz que brilha muito além do horizonte, Onde eu queria estar. Uma luz que eu persigo, Uma luz que ilumina o meu caminho. Uma luz que deve ser a razão de existir, Uma luz que como um barco, me leva nas ondas das ilusões da vida, Nos sonhos que vivo e nos sonhos que ainda vou viver; Ou a luz do ser ou não ser. Simplesmente a razão, afinal... somente uma luz. --------------------------------------------------------------------------------------- Uma casa que não tenha porta, somente janelas. Onde o vento da liberdade e da prosperidade seja uma constante em suas vidas E o que exala das flores do jardim, seja o perfume das suas vidas. Ronan meu neto e Natália sua noiva, que o pequeno e simples texto seja a essência de suas vidas e que 22 de agosto de 2015 seja de muita felicidade.

sábado, 6 de dezembro de 2014

A noite é escura, a lua é Clara. A manhã de sol ilumina o rio, que leva as flores que caem nas margens do rio, que leva um barco entre flores. Timoneirado por Clara que é um anjo; Não sei, será? Quem sabe!

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Espera Feliz Um menino de sete anos vivia nessa região, numa cidadezinha de sete igrejas, as margens do rio vermelho, apesar da cidade pequena, tinha uma estação de estrada de ferro bem grande. De um lado passava à bitola larga, no outro lado à bitola estreita, que tinha uma movimentação de carga e descarga relativamente grande. A região era de produtora de café, milho e uma pequena exploração de cristal de rocha e esmeralda. Voltando ao menino que vai ter sempre sete anos, vivia sua vidinha deliciosa de tomar banho no rio, caçar passarinhos, as noites de lua deitado na grama da praça, dizia ser tomador de conta da lua e sabia quantas estrelas tinha no céu. Ele morava com a mãe em uma casinha pintada de azul e branco ao lado de uma igreja, sua mãe além de ser zeladora da igreja ganhando um dinheiro pago pelo padre, era quituteira na sua casa, cozinhava uma variedade de salgadinhos que eram vendidos na estação do trem. Toda quarta, quinta e sexta, o menino ia com seu sexto coberto com um pano branco todo bordado de vermelho, vendinha seus salgadinhos na estação, não sobrava nada, tudo que trazia vendia, levando para sua mãe um dinheirinho bom que dava para os dois viverem juma vida tranquila. O menino gostava muito de ir à fazenda do Senhor José Billide. A propriedade ficava a vinte quilômetros da rua em que morava, ia sempre compra queijo, fubás e doces que eram fabricados na fazenda. Ficava quase o dia inteiro perambulando, ia ao curral ver o gado e as vacas leiteiras. O que mais atraia o menino era uma roda de água muito grande que levava a água para o monjolo que ficava subindo e descendo descaroçando café ou socando fubá para fazer farinha. O barulho do monjolo mais a água que descia do rio produziam música para seus ouvidos. A roda tinha um jogo de correias que impulsionavam um dínamo produzindo energia elétrica que era usada somente à noite. O menino voltava com uma sacola cheia com o que ele foi “comprar” (porque o Senhor José não cobrava), quando chegava em casa levava uma tremenda bronca de sua mãe em virtude de ter ficado o dia inteiro fora de casa. A cidade tinha uma rua principal que atravessava o lugar de um lado a outro, rua de barro vermelho que qualquer movimento maior fazia muita poeira. Duas vezes por mês passava pela rua uma boiada vindo de um lugar chamado vermelho velho, o boiadeiro famoso, seu nome Júlio Teixeira (o Teixeirão), seus filhos Roberto, Rafael e Marilda. Marilda, uma loira de um metro e oitenta de altura, olhos verdes, com o cabelo que vinha até a cintura, usava um chapéu preto e chamava atenção por onde passava. Teixeira tinha um filho de criação, mulato muito forte pelo fato de lidar com bois, usava um chapelão branco e um lenço vermelho no pescoço e seu nome era Zecão, todos os outros usavam lenço vermelho, menos a Marilda que usava um lenço preto. Em uma segunda feira, às seis horas da manhã com o sol a pino, Júlio vinha tocando sua boiada, Zecão conhecido como “Venta de Vaca”, um pouco a frente tocando o seu berrante, no seu cavalo branco todo paramentado fazendo vibrar aquele som original do berrante avisando as pessoas que a boiada iria começar a passar pela rua. Logo em seguida era muito boi chegando tudo embolado, Roberto e Rafael vinham pelos lados estalando seus chicotes fazendo com que os bois andassem mais rápidos. O menino no meio de tanta poeira, de moreno ficou loiro. Corria pela entrada das ruas laterais com seu chicote de folha de bananeira tocando os bois, logo em seguida já no final, Júlio “Teixeirão” no seu cavalo preto, vinha tocando os bois desgarrados do rebanho. Marilda sua filha, de um lado pra outro completava o trabalho. O trajeto todo foi mais de uma hora de boi atravessando a rua, tanta poeira levantada que o sol contra o ar úmido da manhã fez aparecer um arco íris. A boiada seguia enfrente por mais vinte quilômetros ate a fazenda do Senhor Junqueira onde tinha um curral muito grande. Os bois ficavam acantonados neste curral onde tinha muitos cochos com sal e capim. Ficavam ali por um tempo sendo remanejados em lotes menores para outras fazendas ou embarcados em trens com outros destinos. Júlio e seus quarto filhos, boiada entregue na fazenda da jaqueira, recebia do Senhor Timóteo dono da fazenda o dinheiro que não era pouco, em virtude da missão cumprida. Em seguida retornaram para Espera Feliz, chegaram à tarde já escurecendo, cansados todos empoeirados, era tanta poeira que suas sobrancelhas estavam loiras. Foram direto para a cocheira do Senhor Belizário, deixaram os cinco cavalos, local onde os animais eram desarreados, escovados, levados para um curral onde tinha milho, capim e agua. Ficaram ali por um pernoite. A cocheira do Senhor Belizário era muito importante na região, pois todos os fazendeiros da localidade, como os Navargios, Gueirartes e Lessas, deixavam seus animais na dita cocheira quando viajavam para a capital ou para outras cidades. Deixados os cavalos na cocheira, Júlio e os seus filhos foram para um hotel em uma rua na beira do rio. O prédio era uma fazenda antiga com muitos quartos, salas e espaços grandes, na parte da frente funcionava um bar com muitas mesas e cadeiras, na parte dos fundos um salão onde os conjuntos musicais e duplas sertanejas costumava ser a alegria dos finais de semanas. Com todos esses requisitos a sua disposição, Júlio e seus filhos chegaram ao hotel, tiraram as roupas muito sujas, tomaram banho demorado e foram para o salão jantar, entre um papo e outro, muitas risadas, quando Marilda levantava a cabeça para ajeitar seus cabelos, deu de cara com um relógio grande no alto da parede, seus ponteiros já marcavam mais de meia noite, levantaram os cinco e foram direto para a cama. No dia seguinte às seis horas da manhã, todos em pé, desceram para o salão, tomaram aquele café que era mais que um almoço, pois na mesa tinha queijos, manteiga, bifes, carne de porco, pão-de-queijo, entre outros. Café tomado, barriga cheia, saíram os cinco, foram para uma rua, onde existiam muitas lojinhas e uma venda onde se compra de fumo de rolo a agulha de costura. Andaram por lá e fizeram compras, quem mais comprou foi Marilda. Em seguida voltaram para o hotel, guardaram as compras, desceram direto para o salão, ocuparam quatro mesas. Logo em seguida apareceu o dono do bar, um mulato de quase dois metros de altura, com um avental branco e começou a servir a mesa com tudo que tinha direito ( picanha, carne de paca, queijos de todas as qualidades, etc.) e a mardita que não podia faltar, de todas da região, que entre um gole e outro ia deixando a turma relaxada, muito papo, muitas piadas, alegria corria solta. Quem aparece é quem não podia faltar, o menino. Marilda foi a primeira a correr, pegar o menino pelo braço e trazer junto dos outros, sua cor morena e seus olhos verdes brilhavam de alegria, muitos abraços, muita gozação, um oferece bolo, outro oferece queijo, o comes e bebes dura quase duas horas. Teixeirão levanta e diz: A farra esta muito boa, mas chegou a hora de levantar acampamento. Em seguida foram para cocheira do Senhor Belizário pegar os cavalos. Chegaram à cocheira os cinco cavalos já estavam arreados, prontos para o retorno à Vermelho Velho, um à um foram abraçando e despedindo do menino, todos os cinco em suas montarias saíram chicoteando seus cavalos, ficando a poeira e tristeza da despedida. A ida continua, p menino tratou de pegar o caminho pra sua casa, já a meia hora andando, escutou um barulho que soava bem ao seu ouvido, um carro de boi que vinha saindo de uma estrada ao lado entrando na estrada principal, caminho da sua casa, o carro estava pesado, cheio de espigas de milho sobrando por cima da esteira, o menino correu atrás do carro, o carroceiro Senhor Samuel, gritou: Sobe ai rapaz! Ele pegou em um dos fueiros subindo e deitando em cima do milho. Com o calor do sol, ele pegou no sono que somente durou uma hora, pois que em seguida Samuel, seu carro e seus bois entrariam por outra estrada. O menino pulou do carro com seu boné na mão abanando agradeceu, em seguida andando por mais uma hora chegou a sua casa, sua mãe estava distraída varrendo a soleira da porta, quando o viu jogou a vassoura para o alto, apavorada e aos beijos e abraços ao mesmo tempo reclamando e xingando por sua ausência de uma semana fora de casa. Passado o momento da sua recepção conturbada, a mãe olhou para aquela figura, sobrancelha e cabeça loira de tanta poeira, roupa sua, pois uma semana com a mesma roupa, sua mãe disse: Vamos para aquele tanque grande lá nos fundo da tomar um banho com bucha e sabão para tirar tanta caraca. Banho tomado, cheiroso, agora você vai almoçar e descansar o resto da tarde. Sua mãe logo em seguida começou a lavar a sua poupa, virando pelo avesso a calça, encontrou no bolso uma trouxinha amarrada com barbante, abrindo viu que havia uma boa quantidade em dinheiro. _Menino que dinheiro é esse? _Não sei, essa trouxinha foi a Marilda que botou no meu bolso! _Você é um menino de sorte, é um bom presente. Dia seguinte domingo, sua mãe resolveu que eles iriam à igreja, na parte da tarde seis horas, vestiram roupa de missa e seguiram para igreja do Rosário, localizada em um pequeno morro, região muito bonita. Após a missa foram passeando por uma rua muito bonita de uns quinhentos metros de distância cobertos de flores dos dois lados, buganviles, acácias, gerânios, orquídeas e muitos outros. O perfume e o calor da tarde era um verdadeiro paraíso, terminado o passeio seguiram para casa. No dia seguinte a vida continua, o menino pegou sua sexta foi direto para a estação do trem vender seus salgadinhos. O que mais perturbava sua cabeça era o trem de baiano que passava toda segunda- feira às sete horas da manhã. Passava direto, não paravam na estação, aquelas vozes de passageiros muito grandes, sempre lotados, aquela gente vestida toda com a cor amarela. Os dias passarão, o menino resolveu ir a cocheira do Senhor Nicolas chupar cana, quando estava terminando de cascar quebrou o canivete de estimação que ganhou do Teixeirão. Voltando para casa e conversando com sua mãe, mostrou o canivete quebrado, ela em seguida disse: _Isto se resolve! _Vai lá ao mixuruca, leva seu canivete e mais minhas duas panelas para consertar. Mixuruca é uma figura baixinha, cabelão arrepiado, o faz tudo, bota cabo em inchada, machado, conserta até relógio. Resolvido o problema do seu canivete, a vida continua. Passado um mês, um belo dia quando ela chega à estação, segunda-feira sete horas da manhã, encontra uma tremenda confusão, trem parado, muita gente desembarcando, plataforma cheia, mulheres e crianças chorando. Homens com suas mochilas, seus chapéus característicos, atravessando os trilhos de um lado para o outro, seguindo para as pequenas ruas do lado da estação. O descarrilamento de outro trem no sentido contrário, ocorrido à meia noite na estação de Visira Cortes, dez horas da manhã, linha ferria liberada, o chefe da estação recebe um telegrama liberando a saída de trem para uma hora. Em seguida os funcionários da estação começaram a percorrer toda a plataforma da estação gritando em alta que todos embarcassem, muito tumulto, a maquina apitando, o trem partiu. Ficando muita sujeira que os trabalhadores da limpeza logo em seguida lavaram todo o pátio da estação, o tempo passando, já estava escurecendo, apareceu perambulando pela rua uma menina que no tumulto do embarque perdeu o trem. Estava chorando muito, quando Senhor Manuel e Dona Maria iam passando viram a menina chorando, resolveram levar para a sua casa, Senhor Manuel era dono de uma pastelaria na rua direita. Chegando em casa, Dona Maria botou a menina para tomar banho, arrumando uma roupa de sua filha para vesti-la, solucionando a parte do banho e das roupas, Dona Maria perguntou a ela qual era o seu nome, ela respondeu Stefane, quantos anos você tem? Ela não sabia. Pelo que aparentava devia ter uns quinze anos, a menina não queria muito papo, estava cheia de fome, foi levada para a cozinha, jantou e foi dormir, ficando praticamente adotada. O menino assistiu todo aquele reboliço, toda aquela confusão. Voltou para a sua casa, contando para sua mãe tudo que aconteceu, ele e sua mãe riram muito dos casos acontecidos na estação. Passaram-se seis meses, lá na rua direita a Stefane somente queria comer pastel e já tinha memorizado todas as vogais e algumas consoantes. O tempo ia passando chegando mês de janeiro em um dia ensolarado, sábado à tarde, o menino cujo nome é Felício, sua mãe e sua namorada Juliana, resolveram ir passear na estação tomar sorvete e assistir a passagem do trem noturno, de bitola estreita com destino as cidades do interior mineiro. Este trem não parava a estação, passava sempre direto, no dito dia, pela passagem de um trem de carga atrasado em sentido contrario somente o noturno ficou parado na estação por uma hora, o trem de carga passou direto, tinha liberado, o condutor do noturno anunciou a partida dando dez minutos para o embarque dos passageiros, passando mais dez minutos, a Maria Fumaça apartando o tumulto, todo mundo embarcado o noturno partiu. A Maria Fumaça já estava apitando lá na curva, quando aparece correndo por entre trilhos, Marilda e Romero. Romero boa pinta namorador tinha convidado Marilda para um sorvete na Rua das Palhas, conclusão, a dita cuja perdeu o trem, Romero que era noivo deu no pé, Marilda ficou perdida perambulando pela rua cansada sentada na calçada chorando, quando em frente de uma janela, Dona Filomena observava compadecida com o choro da figura, desceu a escada de sua e foi saber o que estava acontecendo. Marilda chorando muito contou sua história, perdeu o trem, a passagem e o endereço de sua tia na estação de Goiás, logo em seguida apareceu Senhor Chicão, alemão marido de Dona Filomena, que resolveu a situação adotando a Marilda em definitivo, o tempo ia passando, Margarida, apelido “Guida”, moça muito bonita, dezesseis anos, foi logo se integrando a vida do lugarejo, figurou todas as portas das igrejas, bailões, exposições agropecuárias com cantores sertanejos. Passado um ano, já tinha namorado uma meia dúzia, quando conheceu Aguinaldo. O namoro com Aguinaldo passou a ser um namoro sério, por todo de semana eles se encontravam, passado uns seis meses ele começou a mudar, uma semana ele vinha e outra não. O que Margarida não sabia, é que na rua direita em um domingo na festa da igreja do Rosário, Aguinaldo e seus quatro amigos perambulavam paquerando na festa, quando pararam do lado de uma barraquinha, desta que vende maçã do amor, onde estava um grupinho de meninas, entre elas estava Stefane comprando a dita maçã, enquanto esperava, Aguinaldo se desgarrou dos amigos, chegou até a barraquinha do lado onde era feito o pagamento das maçãs e disse a pessoa que estava recebendo: _A maçã pertence aquela menina moreninha com a flor vermelha no cabelo, você paga aqui. Stefane curiosa com como sempre, quis saber quem era o cavalheiro de boa ação, Aguinaldo o bonitão muito afoito logo se apresentou, beijo no rosto, os dois ficaram de prosa até o final da festa, logo em seguida foram caminhando até o portão de sua casa, onde trocaram mais uns beijos, despedia com promessa de outro encontro. O pai de Aguinaldo tinha um pequeno sítio onde plantava muita abóbora, tinha um caminhão velho, velho, que Aguinaldo dirigia fazendo entregas em um pequeno mercado da cidade. Em um sábado à tarde, Stefane e sua mãe estavam fazendo compras no mercado, quando nas idas e vindas entre as barracas, avistou Aguinaldo descarregando em um pátio ao lado das barracas, não perdeu tempo, deixou sua mãe nas compras e foi falar com Aguinaldo. Conversaram bastante tempo e confirmaram compromisso definitivo. O tempo ia correndo, a rotina de Aguinaldo era uma semana ele namorava Stefane na rua direita, na semana seguinte era vez de Margarida na rua das palhas, seguindo nessa situação durante seis meses. Um belo dia, Stefane passou a não gostar de pastel, tudo que comia fazia mal, seus pais tiveram que leva-la ao médico, conclusão, Stefane estava grávida. Passados quinze dias, a mãe do menino, Felício e sua namorada Juliana, foram fazer compras no mercado e encontraram a parteira Dona Gertrudes, figura importante no lugar que na base da fofoca, que disse em alto e bom som, três ontonte estive na rua das palhas e encontrei Margarida passando mal, tudo que comia enjoava, o legal era somente uma gravidez. Conclusão, as duas estavam grávidas da mesma figura, Aguinaldo. Senhor Chicão e Senhor Manuel, o pai adotivo de cada uma concluíram que era caso de polícia, procurando o Doutor Delegado, queixa registrada, foram à casa do pai de Aguinaldo, trouxeram o rapaz, ficando trancafiado no xadrez. Passados trinta dias que Aguinaldo estava preso, Dona Filomena foi à casa de Dona Maria para resolver a situação. Procuraram Stefane e em conversa com ela descobriram que entre os namorados anteriores que ela teve, um era apaixonado, seu nome é Roberto, boa pinta e bom partido, Dona Filomena e Dona Maria foram procurar Roberto. Encontraram o Roberto no mercadinho fazendo entrega de mercadorias do sítio de seu pai. Conversaram com ele e convidaram para que fosse à casa de Stefane no final de semana em um sabão, o que ele aceitou. No sábado seguinte ele apareceu, os dois conversaram muito, confirmaram noivados e aguardando data para casamento. No outro lado na rua das palhas, Dona Filomena direto com Margarida foram a delegacia visitar Aguinaldo, o delegado o liberou por todo o dia e voltar a tarde, com todo esse tempo, saíram, almoçaram juntos, conversaram ficando acertado casamento aguardando data. Tudo acertado ficou marcado os dois casamentos, trinta e seis dia seguintes em um sábado. Ficou acertado que os casamentos seriam realizados na praça do chafariz próximo a Matriz, praça com espaço grande, com coreto espaçoso, grande seriam realizadas as cerimônias. Na data marcada, o delegado, juiz de paz e o padre Francisco Aquafredo e Senhor Sebastião Neves, subiram ao coreto para oficiar o casamento. Em seguida chegaram os noivos, as duas noivas demoraram mais de uma hora para chegar, com todo atraso, chegaram à caminhonete do pai do Aguinaldo, toda enfeitada de flores, subiram para o coreto com música da banda do Senhor Jiló, começando assim, o casamento. O juiz de paz com o livro, assinatura dos noivos e das noivas, mais assinatura do delegado e das testemunhas, em seguida o padre Francisco Aquafredo, com a benção e a hora das alianças, ao som da marcha nupcial tocada banda, muita alegria, as noivas foram jogar seus buquês, a Stefane fia a primeira a jogar, quem pegou a mãe do menino Felício, em seguida Margarida jogou o seu buquê, quem pegou? A Juliana namorada do menino Felício, a tarde já estava escurecendo, o foguetório iluminava o céu azul, muita alegria, muita música, o barulho da criançada correndo para as barraquinhas de doces. Assim termina a história de dois casamentos em Espera Feliz.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Teixeira Brandão

Presídio não, não e não!

Churchill é que tinha razão, a democracia é a melhor ideologia política, mas é a mais hipócrita do mundo. A democracia na essência é o governo do povo para o povo, no Brasil no entanto é diferente, é o governo dos políticos para os políticos.
Falando sério, a região dos municípios Carmo, Sumidouro, Serra do Pião, Botafogo, fazendo divisa um lado com Friburgo e o outro lado com Além Paraíba, grandes produtores de ervilha, tomate, aipim, beterraba, cenoura, cáqui e outros. Produtores de leite como meu amigo Zuza, que levanta de madrugada para tirar leite. Ele e muitos outros produtores de leite importantes na região.
Para resolver esta situação, somente políticos sérios, importantes, como Dorneles, mineirão como eu , o qual foi muito votado em Sumidouro. Independente de partido, Antônio garotinho que asfaltou a Serra do pião; Glauber que tem uma faixa em frente a rodoviária de Sumidouro e por fim Pezão, candidato à governador do estado do RJ, de quem sou fã e vou votar.
 Gente, socorro! Não permitam que o patrimônio fazenda Teixeira Brandão seja transformado em presídio .Pelo  exposto e a grande capacidade agrícola da região, é muito mais lógico que a fazenda seja entregue a " EMBRAPA" para pesquisas e atendimento aos produtores da região.
Os pequenos e médios produtores dependem muito dos trabalhadores, pessoas pobres que trabalham na capina e nas épocas de colheita. Existe pobre nessa região, mas é uma pobreza digna, isenta de miséria e de muito pouca violência.
A efetivação do presídio fatalmente trará violência, tráfico de drogas, podendo desempregar na lavoura, levando muita gente para apinhar-se nos morros cariocas.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

UM ITALIANO NAS GERAIS













Cula, Raisa, Isabela, Geraldo, Pixot e Berod.
      Cula morava em um sitio de nome Pouso Alegre, situada em planalto pequeno com uma casa de madeira com oito cômodos. Na parte dos fundos tinha dose pes de jabuticaba, na parte da frente a uns cem metros abaixo passava uma estrada de terra. Se alguém passasse na dita estrada e não observasse bem, não notava a existência do sitio.
      Cula era descendente de italianos que vieram para região em outras épocas. Magro, alto, bigodão preto, falava muito alto e de uma tremenda energia, pegava uma cachaça de respeito. Moravam com ela sua esposa Raisa, seus filhos Isabela, Geraldo, Pixot e Berod.     
      Cula trabalhava na fazenda do Senhor Américo que era dono do sitio onde ele morava, ele e seus três filhos homens trabalhavam na lavoura de café. Acordar as seis horas da manha na dita casa, sol despontando no alto do morro, as maritacas, arapongas, sabias, trinca – ferros, canários e outros compunham a sonora orquestra. O perfume que exalava das flores das jabuticabeiras, o cheiro do café que vinha da cozinha era a coisa mais gostosa do mundo.
     Cula e seus filhos levantavam todos os dias as seis da manha e iam para a lavoura de café, enxada nas mãos, engatavam na parte de baixo, cada um em seu beco do cafezal. Cula era sempre o primeiro a chegar no ultimo pé de café, acendia seu cigarro enquanto esperava a chegada dos outros. Na capina do café trabalhavam outros empregados que não eram de sua família, um desses empregados tinha um apelido esquisito, “ Três Contigo “. Enquanto todos os empregados já tinham chegado no final, ele ainda estava no meio do eito.    
Cula gritava :
Três! Acende o pito, bota fogo na caldeira se não você não chega.
      No fim do dia todos iam para um barracão que existia embaixo da lavoura, onde se encontravam, trocavam de roupa e deixavam suas enxadas. Apesar da gozação, os dois eram amigos, pois eram sócios da mesma garrafa da “ mardita “.
Todos os dias quando Cula e seus três filhos chegavam em casa, ele gritava:
Bela! Bela! Porca Miséria! Cadê a garrafa de cachaça que estava aqui?
Bela gritava:
Não tenho culpa se você compra garrafa furada. Foi a maior gozação, os três filhos foram saindo correndo para rir lá fora no terreiro e Cula muito bravo gritava:
Ainda mato essa “ maledeta “.
     Bela era quem cuidava do estoque de cachaça do pai, apesar de toda a gritaria, ele amava muito sua filha.
     Cula e seus três filhos levantavam cedo e iam pra sua rotina na lavoura, a tarde desciam para o dito galpão que era controlado por um casal: Valerão e Birda.
     Birda, morena alta, cabelos pretos e cumpridos, olhos grandes e pretos. A mulher fazia Cula ficar vesgo e seus filhos encarnavam na gozação:
Mama Raisa é brava.
     Birda que era um violão ou mais que um “ violão celo “, perturbava a vida de meia dúzia na região.
     Cula e seus filhos para não negar a raça, eram bons músicos. Nos finais de semana de sexta para sábado, estavam sempre nas varandas das fazendas mais próximas e nos botequins, como dizia ele, fazendo a alegria e felicidade dos poverellos.
     Faziam parte da banda, Cula no acordeom, Pixot e Berod tocavam violão e Geraldo no cavaquinho, atuando sempre nos fandangos da vida.
     A Vida continuava, as idas e vindas das lavouras, em um final de semana, sexta feira, chegaram em casa os quatro muito cansados, cama pra quem te quero. Sábado, sol alto, oito horas da manha, acordão todos de cara amaçada.
Cula, o primeiro a acordar, grita:
Porca miséria, isso é hora de acordar!
     O café já estava na mesa em um silencio que só se ouvia o barulho da chaleira fervendo no fogão. Todos tomaram seu café. Geraldo, o primeiro a sair da mesa, acende seu cigarrinho e foi logo dizendo:
Hoje não quero ver nem sombra do cavaquinho.
Cula resolveu mudar a rotina:
Que tal agente sair para caçar?
     Os três vibraram e começaram a organizar a matula. Pegaram as três armas empoeiradas, fizeram a limpeza. Todas brilhando, uma carabina papo amarelo, um rilfe e uma espingarda de dois canos de carregar pela boca. Pegaram as cartucheiras, o cantil, pólvora e munição, emborna para suprimento de um dia de caça.
     Já era meio dia quando saíram de casa, armas a tira colo, emborna pendurados nos ombros, desceram o caminho de casa e pegaram a estrada das paineiras, seguiram por um trecho que tinha muitos bois pastando, atravessaram o rio, seguiram um caminho estreito em um terreno plano.
      Logo em seguida, começaram a subir o caminho cercado por carreiras de café dos dois lados, a épocas era da florada, os pés de café estavam branquinhos, as flores com o calor do sol perfumavam o caminho, continuaram subindo ate chegar a fazenda do Senhor Jordelino, pois teriam que passar ao lado da casa pra chegar a mata, continuaram subindo, chegaram ao terreirão da fazenda, os seus amigos de enxada estavam todos esparramados, uns encostados em um carro de boi, outros em uma pedra ao lado do terreiro.
      Quando viram aquelas quatro figuras com as armas a tira colo, mais os sacos de matula nos ombros, começou a gozação.
Zeca um dos seus amigos da lida nos becos de café, gritou bem alto:
Senhor Jorge será que eles estão indo para guerra?
Senhor Jorge respondeu:
Foi declarado a guerra do contestado e agente não sabia.
       Gozação a parte, já eram mais de doze horas, dia de sábado, fogão a lenha fazendo fumaça na cozinha, o cheiro chegando onde eles estavam.
Cula muito esperto reclamou:
Esse negócio vai ficar só no cheiro?
Senhor Jordelino que era uma pessoa muito alegre e prestativa, gritou alto:
Vamos para cozinha que a comida esta esfriando.
       Todos subiram para a cozinha, Cula entre um gole e outro, comia as por petas, angu frito, broa de milho salgada, costela de porco e uma variedade de carnes a escolha. A comilança durou umas duas horas ou mais, ate que Geraldo lembrou da caçada. Pegaram os sacos de matula, levantaram acampamento, despedida, mais gozação:
Senhor Jordelino disse:
Cula o que você conseguir caçar eu aço no dedo.
       Já era mais de quatro horas, começaram a subir entre as carreiras de café, distancia de uns quinhentos metros, terminado a subida no trecho do cafezal, entraram no verdadeiro espaço da mata. Facão na mão cortando galhos, cipó, arranha gato, contornado pedras, chegaram a um local de arvores muito grandes, seis e meia da noite, já estava meio escuro, quando escutaram uma barulhada na copa de uma das arvores. Eram os jacus chagando para dormir, Geraldo engatilhou a espingarda, mirou e atirou em um dos jacus, a única coisa que conseguiu foi espantar os bichos que voaram para o alto da mata, eles subiram mata a dentro perseguindo os bichos nada conseguindo, com o tempo que levaram, noite muito escura, procuraram um espaço ao lado do tronco de uma arvore, acenderam um fogo e dormiram ali.
       No dia seguinte acordaram com o sol brilhando por entre as folhas das árvores, a barulhada do trilhar das arapongas, o canto dos merros e outros como maritaca e papagaios. Levantaram e tomaram café, apagaram o fogo do chão onde eles dormiram, pegaram suas armas e saíram pela mata para continuar a caçada. Começaram a subir por uma trilha entre árvores, muitos troncos secos, arranha – gatos (e um cipó cheio de espinhos ), umas duas horas subindo quando de repente começaram a ouvir uma barulhada que vinha da copa das árvores, era um casal de monos ( macacos típicos dessa região ), os três pegaram suas armas e saíram atirando nos bichos, o que conseguiram foi espantar os macacos que partiram pela mata acima levando os três  a se embrenharem pela mata a dentro já sem rumo e completamente perdidos. As horas passaram, anoiteceu, procuraram um espaço embaixo de uma árvore, acenderam um fogo e ajeitaram tudo para dormir.
        A noite não das melhores, da meia noite para a madrugada, as uiaras ( animal típico da região ) começaram a uivar bem perto do acampamento, logo em seguida silêncio total, as uiaras sentiram o cheiro de uma onça e desapareceram. A situação piorou, a onça começou a uivar envolta do acampamento, resultado, não conseguiram dormir. Cheios de fome, pois não tinham comida, o dia clareou, juntaram as trapizongas, pegaram as armas, saíram em frente para um dia perdido na mata. Acharam uma pequena trilha e foram seguindo, quando escutaram uma barulhada que parecia trovoada, ficaram parados protegidos junto ao tronco de uma árvore. A barulhada que eles estavam ouvindo era de uma manada de queixadas ( porco do mato ), bichos subindo mato acima, Cula mais os três partiram atrás da manada dando tiros para todo lado, o que eles conseguiram foi espantar os bichos que subiram para mata desaparecendo do alcance deles, cismaram que tinham acertado um dos porcos, ficaram muito tempo procurando, o dia já estava escurecendo, cansados e com fome, resolveram parar para dormir, andaram mais um pouco, quando encontraram um jequitibá, árvore muito grande com diversos espaços entre as raízes, onde poderiam dormir protegidos do vento e do frio.
       Passaram uma noite tranquila, acordaram no dia seguinte já com o sol alto, pegaram suas armas juntaram todos os trens e saíram por uma trilha sentido direita na mata, andaram umas duas horas, quando começaram a escutar um barulho de agua, era uma pequena cachoeira, Cula deu uma parada, acendeu seu cigarro de palha e disse:
Já não estamos perdidos, vamos descer seguindo a agua da cachoeira!
       Levaram umas quatro horas descendo, quando clareou, já saindo da mata, desceram um pouco e encontraram um cafezal, desceram por entre a carreira do cafezal, encontraram um espaço que parecia ter sido capinado a pouco tempo, pararam ali para dar um descansada, arriaram as mochilas, enquanto estavam fumando, Geraldo já estava apagando seu cigarro, quando viu uma coisa acinzentada por entre dois galhos de um pé de café. Curioso levantou, pegou, tinha um volume de mais ou menos 500g, pegou um canivete e começou a cortar a parte acinzentada que era mofo. Logo tudo cortado descobriu que era angu, dividiu em quatro pedaços, com a fome que estavam, comeram e disseram que era o angu mais gostoso do mundo.
“Vamo levantar, arubu voando baixo”!
       Começaram a descer logo em frente saíram do cafezal, pegaram um trecho de pasto, atravessaram uma cerca de arame farpado, começaram a ouvir latidos de cachorros, engenho de cana de açúcar situado abaixo, o cheiro de garapa quente que o vento trazia ate eles, provocando ainda mais a situação de seus estômagos vazios, sonhando com as por petas e o macarrão da mama.
       Desceram o resto do caminho no pasto, atravessaram um pequeno ribeiram, seguindo por uma rua ao lado de um pequeno colégio, encontraram o Gere Mário no meio de um monte de crianças, gritando:
“Iscriança a aula já deu pispio”!
Cula e seus filhos deram muitas risadas com a alegria da criançada. Seguiram em frente e chegaram na casa do seu amigo Ninguém, bateram palmas na porta, seu amigo aparece e diz:
Que sumiço! Por onde vocês andaram?
Não pergunta, o negocio é que estou com muita sede! Diz Cula.
Ninguém não deu nem muita bola, Cula batendo na cangalha para burro entender, disse:
Estou com a goela seca!
Ninguém entendeu o recado e disse:
Tinha uma garrafa, mas a jabiraca da minha muié jogou no rio!
       Na casa de seu amigo tinha umas mantas de carne seca que eles comeram uns pedaços e seguiram para casa. Levaram uma hora ate chegar em casa, na subida do caminho quando apareceram no terreiro na frente da casa, Bela e Raisa avistaram os quatro, gritaria de alegria.
Madre cita mia! Dizia sua mulher, sua filha não sabia se ria ou se chorava, com toda aquela barulhada, Cula deu uma parada e gritou:
Chega! Estamos cansados e com muita fome.
       Em seguida desceram o caminho e foram tomar banho no rio. Ficaram uma hora se banhando. Enquanto esse tempo, Raisa e Bela prepararam a comida com todos os pratos que eles gostavam. De banho tomado, subiram, todos a mesa, almoçaram a vontade, contaram as historias da caçada, muita gozação e risadas.
       Terminado o almoço enquanto Cula descansava e pitava seu cigarro em um canto da casa, Geraldo e seus irmão ouviram risadas do fundo do terreiro onde estavam as jabuticabeiras, correram e se aboletaram embaixo dos pés de jabuticabas, e ficaram olhando para cima enquanto Bela e suas quatro amigas da família dos Vilhenas, meninas de quatorze e dezesseis anos, chupavam jabuticabas no alto das árvores. Bela notando que os três malandros estavam olhando as pernas das meninas, fez uma gritaria e Cula ouviu e veio em socorro botando os três para correr.
       Situação resolvida, moral estabelecida, as quatro loirinhas da família dos Vilhenas, despediram de Bela levando um cesto cheio de jabuticabas para fazer licor. Passaram – se seis meses e Cula resolveu mudar para outro lugar, um final de semana, sábado, foi a fazenda do Senhor Américo para comunicar as razões da sua decisão. Na chegada foi recebido por uma porção de gansos fazendo uma barulhada no terreiro da casa, ouvindo todo aquele barulho o Senhor Américo chegou na varanda e recebeu Cula, aperto de mão, alegria, começaram a conversar, muitas risadas relembrando situações durante os dez anos vividos e muito comemorados. Começando a conversar mais serio, Cula informou a sua decisão da mudança, o Senhor Américo lamentou muito a perda do convívio do amigo e do trabalho que os quatro prestavam na propriedade.
        Continuando a conversar, o Senhor Américo falou da falta de empregados, pois a maioria não queria nada com o trabalho, estava todo mundo indo para a cidade. Cula deu uma risada e saiu com essa, o Getúlio vai mandar a cimentar o Brasil lá de cima ate embaixo, vai botar uma venda em cada esquina para vender fiado. Cula despediu e já ia saindo quando o Senhor Américo pediu por favor que mandasse dois de seus filhos a sua casa.
       No dia seguinte de madrugada, os apareceram na casa do Senhor Américo, a empreitada era fazer a entrega que ele havia vendido. Cabresto na mão, pegaram o burro no pasto, trouxeram para o curral, arriaram com uma cangalha, penduraram dois balaios, um de cada lado, começaram a pegar os gansos para botar nos balaios. A tarefa era encher o balaio de gansos de forma que o peso ficasse igual, balaios cheios de gansos, em seguida costuraram com saco de estopa a boca dos balaios para que os gansos não escapassem. Tudo arrumaram e sairam para levar os gansos, levaram umas seis horas ate chegar ao barracão dos Mouras, que eram Tropeiros e Mascates, entregaram os gansos, receberam o dinheiro do pagamento. Missão cumprida, arrumaram os balaios na cangalha do burro e sairam de volta, passaram em uma venda, começarm chourisso e beritaram um gole da boa, quando iam saindo do vilarejo puxando o burro pelo cabresto, os dois balaios vazios, logo veio na cabeça dos dois entrar nos balaios.
        Entrou um em cada balaio, o peso estava equilibrado, amarraram o cabresto no cabeçote da cangalha, o burro seguiu sozinho de volta para casa. Com o balanço do balaio os dois dormiram, como o animal já tinha bastante tempo na propriedade do Senhor Américo, sabia certo o caminho de volta. Como a estrada estreita de terra era quase somente descendo,  o tempo de regresso foi menor, levaram cinco horas ate chegar a fazenda. Chegaram seis e meia da tarde e já estava escuro, o burro abriu a porteira com o focinho, entrou e foi parar em um canto escuro do terreiro, uma filha do Senhor Américo escutou o barulho do burro, chamou o seu pai e foi ver o que estava acontecendo.
         A sena era o seguinte, os dois que foram levar os gansos estavam ferrados no sono dentro dos balaios, o Senhor Américo não perdeu tempo, pegou um balde cheio d’água e jogou nos dois, que acordaram assustados, pularam dos balaios, muita risada, a encarnação nos dois foi longa, para acabar com a gozação, os dois pegaram o cabresto, levaram o burro para um galpão, desarrearam, guardaram as cangalhas, levaram o burro para o curral e puseram milho no coxo, enquanto o animal comia a ração, desceram para o terreiro, Senhor Américo da cozinha convidou os dois para tomar café, entraram, fogão a lenha aceso, mesa posta, comeram polenta com sal, broa de milho, caneca cheia de maiá ( café com leite ).
         Satisfeitos, despediram – se do Senhor Américo que agradeceu por tudo, em seguida foram para casa do pai. Semana seguinte, Geraldo arrumou um carro de boi emprestado com seus amigos, com duas juntas de boi para levar a mudança na estação de trem em Caiena. Carregaram os móveis e todos os trens da casa, amarraram com as cordas.
         Geraldo e Berod desceram com o carro para estação, chegaram já meio dia, embarcou toda a mudança, pagou o valor do frete, Geraldo seguiu com o mesmo trem para Muriaé e Berod voltou com o carro de boi para casa. O trem que partiu para Muriaé com uma composição de dois para passageiros e quatro vagões de carga, o trem desceu a serra pesado, chegando a Muriaé já de madrugada quase amanhecendo. Geraldo tirou um cochilo no banco da estação, acordou com a barulhada dos trens manobrando, levantou e foi tomar café em botequim do lado de fora da estação, tomou café e saiu andando por uma rua muito cumprida passando por muitas lojas comerciais, encontrou uma barbearia, entrou e aproveitou para fazer as barba, tinha muita gente, muita conversa, contador de piadas. Terminando a barba, começou a conversar com um senhor pedindo que ele informasse uma pensão onde ele pudesse se hospedar por uns dias. Prontamente informou que no final dessa rua um casarão, a pensão da Dona Lorraine.
        Geraldo foi ate o lugar informado e acertou com a dona hospedar – se só com o café da manhã, ele saiu e andou por uma porção de ruas, entrou em diversas lojas, já estava escurecendo, voltou para pensão, pernoitou em seu pequeno quarto, levantou cedo no dia seguinte, enquanto tomava seu café servido por três meninas que servia o café, aproveitou a oportunidade para perguntar a que lhe estava servindo se não sabia de alguém que tivesse casa para alugar, ela foi ate a copa falar com uma de suas amigas que sabia de uma casa em um lugar um pouco longe, perto da igrejinha de São Cristóvão, Geraldo saiu e foi perguntando por mais de uma hora, chegou a uma praça em que estava localizada a dita igreja, encontrou com uma senhora que morava ali perto que informou a casa que tem para alugar é aquela que esta do lado das mangueiras grandes, o dono é o Senhor Geracino Breder que mora na casa bonita ali do lado.
       Geraldo foi ate a casa, conversou com p Senhor Geracino que disse que era uma chácara que tinha muito pra fazer antes de morar. Geraldo pegou a chave, entrou na casa com tudo que tinha pra fazer e gostou muito, muitas árvores, a casa tinha uma cozinha grande, fogão a lenha, ele voltou a casa do Senhor Geracino para entregar a chave. Ele disse:
Leva a chave!
Geraldo perguntou:
E o aluguel?
Isto agente combina outra hora, disse o Senhor Geracino.
        Geraldo voltou ate a pensão, no dia seguinte pagou o que devia e foi para a chácara, trabalhou e dormiu lá durante toda a semana, no sábado, vestiu a roupa de missa, foi a estação de trem e passou um telegrama para seu pai informando que a casa estava alugada. Na semana seguinte, arranjou uma carroça e retirou os móveis que estavam no armazém da estação. Com a informação da casa alugada, Cula, sua mulher, sua filha Isabela e seus dois filhos, Pixot e Berod, embarcaram em Caiena com destino a Muriaé.
        Para Raisa e isabela a alegria era muito grande, pois pela primeira vez viajaram de trem. A viajem corria tranquila enquanto as duas curtiam as lindas paisagens e as paradas de estação em estação, comprando quitutes e artesanatos que eram vendidos ao longo dos trilhos e nas plataformas das estações.
        Noite chegando, as luzes dos vagões a base de carboreto sendo acesas, logo em seguida enquanto a turma cochilava, a maria fumaça entrava na cidade apitando, apitando, espalhando fumaça para todo lado e o barulho do sino. Já era mais de mei noite quando encostou na plataforma da estação, muito barulho, os empregados das pousadas e hotéis e pensões oferendo suas respectivas vantagens e pegando as bagagens e malas. Cula e sua família desembarcaram meio perdidos, em todo aquele tumulto, quando encontraram Geraldo que estava com uma charrete do lado de fora da estação. Em seguida levou todos para nova casa, a chegada muito divertida, muita alegria, Cula gostou muito do tamanho da chácara, com muitas ávores. Raisa e bela gostaram muito do tamanho da cozinha que tinha um fogão na parte de dentro e outro na parte de fora em uma varanda coberta que ocupava toda a estenção da casa.
      Durante seis meses fizeram muitas amizades com os moradores da redondeza, trabalhando no serviço pesado nos sítios e fazendas da região, saindo alta madrugada e chegando à noite. Nos finais de semana aos sábados, pegavam seus cavaquinhos e violões e faziam a alegria da casa e de seus vizinhos, tocando na varanda da sua casa e na pracinha que existia ao lado de sua casa.
      Com o passar do tempo foram comprando novos instrumentos, conhecendo outros músicos da cidade. Um botequim localizado perto da sua casa onde costumava molhar a garganta com uma dose da boa, conheceu dois amigos que eram músicos que passaram a fazer parte da pequena banda. Começaram a tocar nos bailes, nas festas das igrejas e nos pequenos clubes da cidade.
      Passado um ano, conheceram mais dois músicos da família Afonso Cesar que passaram a fazer parte do conjunto, ficando a banda com oito integrantes. Com essa nova formação passaram a viver somente da musica, tocavam no clube mais importante da cidade, fazendo shows nos clubes das pequenas cidades da região, tocando nas grandes feiras agropecuárias, ultrapassando as fronteiras do estado.
     O clube da cidade que o acolheu, resolveu fazer uma festa comemorativa dos sessenta anos da sua existência. O presidente do clube convidou nada menos, nada mais que o cidadão adotivo Cula. A festa tinha diversos conjuntos tocando, a banda principal que tocou ate o dia clarear foi a do Cula, sendo homenageado no final recebendo cada integrante uma medalha de ouro, sendo esta a historia de Um Italiano Nas Gerais.   


Sete dias, sete noites
Sete noites de luar
Sete noivas namorando,
Numa noite de luar
Sete igrejas, setes missas
Sete noivas no altar.